JokersTemos qualquer coisa ali dentro que não dizemos. Um não-dito, contudo, entendido pelo outro através de gargalhadas à toa e comentários despretensiosos – e sarcásticos, sempre.
Temos nas mãos um capuccino muito bom, apoiado em uma mesinha rústica, descascada, envolta por várias outras mesinhas desiguais, paredes com quadrinhos pseudo-cools e murais repletos de recadinhos clichês.
Temos nos pés a vontade de fugir de tudo aquilo que nos impede de ser livres e beber água gelada e café. Mas não fugimos, porque em meio a um edifício comercial qualquer, onde circulam homens de terno e gravata e mulheres de conjuntinhos, existe um não-lugar confortável, com ar de grande centro, tortas deliciosamente caras e - pasmem! - bom atendimento.
Temos nas costas o peso de todas as tarefas ingratas do mundo, ainda assim, arrumamos disposição para rir e fazer dublagens esdrúxulas de corredor. E, claro, para gozar da cara dos outros, escrevendo recadinhos petulantes e pendurando-os discretamente no mural, para que leiam e nem percebam que a mensagem destoa das outras carinhosas e das típicas “passei por aqui” ao redor. Mal sabem que é um vai-tomar-no-cu! disfarçado, um nó desfeito na garganta, um pedido de socorro. Que tem lá sua poesia, afinal, toda piada interna bem sucedida é um sinal de amizade, cumplicidade e todos aqueles sentimentos bonitos que afloram em época de Natal.
É tudo aquilo que temos e, sobretudo, tudo aquilo que sentiremos falta daqui a um ou dois intervalos de tempo.*** Postando ao som de: The Most Serene Republic - Compliance >>> estranha e feliz, como os últimos dias têm sido.
Quinta-feira, Novembro 22, 2007
Jokers
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